Grandes Portugueses

Para quem tem acompanhado o programa na RTP1 sobre os grandes Portugueses deve ter posto em causa a possibilidade de duas personagens tão polémicas como António de Oliveira Salazar e Álvaro Cunhal virem a sair vencedores desta eleição simbólica que apenas irá contar para uma simples recolha de opinião pública.
Num país provinciano de brandos costumes, plantado à beira-mar em que se ainda se vê novelas Brasileiras, Mexicanas, Morangos com Açucar e Floribelas e C&A’s, país este em que as pessoas ainda têm o hábito de viver em função de estereótipos sociais, falar-se de Salazar e Cunhal como individualidades ainda não se tornou hábito.
Uma sensação que tive a quando do anúncio de Salazar como um dos 10 finalistas, foi de um desacordo peremptório, simplesmente por este ter pertencido a um regime fascista.

Por outro lado, embora se veja Álvaro Cunhal como um libertador do regime fascista, as pessoas têm um certo estigma em olhar para Cunhal pois ligam-no ao PCP e consequentemente aos podres do regime comunista russo.
Ontem estive a acompanhar com atenção o documentário sobre Álvaro Cunhal narrado pela deputada Dra. Odete Santos. Para pessoas como eu que não largam o maltido computador por um único instante (problemas das novas tecnologias), posso-vos dizer que ao ouvir o documentário sobre Álvaro Cunhal fiquei suspenso como uma pluma em frente ao monitor da televisão pelas suas inúmeras facetas (e.g. Tese de final de curso sobre o aborto) e também pela ternura com que foi narrado. Era como se de um canto lírico se tratasse.
Desde já os meus parabéns a Odete Santos.
Depois deste comentário, fiquei ansioso por ler mais sobre todas estas personalidades bem como por ver os próximos documentários.
Não querendo criticar quem não acompanha este programa, penso que estão a perder uma oportunidade de ouro para aprofundar os vossos conhecimentos sobre a História do nosso país. Infelizmente, os manuais de História falam muito pouco sobre o século XIX e XX Português ao par que os programas de Português serem demasiado extenso para cobrir todos os grandes escritores e poetas do nosso país.
Posso-vos dizer que no capítulo da ignorância, fiquei moralmente ofendido por se ter votado uma personagem de uma série de ficção como um dos 100 maiores Portugueses. São coisas como estas e a acrescentar a maioria não saber ao certo quem fundou a universidade de Coimbra ou o Hospital Termal das Caldas da Rainha que me deixam triste.
Mas enfim … eu não tenho a culpa de saber separar o conceito de Deus de Religião, Bush dos States, Cunhal do PCP, Salazar do Regime Fascista.
Que o diabo me perdoe por não seguir estereótipos e por não contribuir para o ignorância saloia.
PS: Embora seja um Homem das Luzes, tenho muito orgulho nas minhas origens provincianas. Embora os meus pais e avós tenham pouca formação escolar (pois trabalhavam no campo), possibilitaram-me ter uma formação de excelência. Obrigado a todos vós.

6 thoughts on “Grandes Portugueses

  1. Vi ontem o documentário de Salazar e senti orgulho em ter escrito esta opinião na passada semana.
    Penso que antes criticarmos o que quer que seja devemos investigar os factos e as razões por detrás da Doutrina do estado Novo.

    Acho que se me dessem a escolher entre viver na profunda anarquia da 1ª república, preferia de certeza viver no Estado Novo. Claro que isto não quer dizer que seja amante do estado novo, muito pelo contrário.

  2. Quanto a Aristides de Sousa Mendes:
    Este é talvez o Português mais altruísta que alguma vez existiu!
    Pessoalmente não conhecia, mas adorei ter conhecido!
    No entanto para pessoas como eu que viram o Doc. de Salazar no dia anterior, deve ter ficado confuso!
    Então Salazar foi bom ou foi mau?

    E Aristides de Sousa Mendes? Foi um salvador ou um desordeiro?

    Quanto aos 2, apenas posso dizer 1 coisa:
    Não queria ter estado na pele de nenhum dos dois.

    PS: Aristides de Sousa Mendes faz-me lembrar os cientistas Portugueses que têm sucesso além portas e que ninguém lhes dá o devido valor cá dentro.

  3. Vi na semana passada o documentário sobre o Infante D. Henrique e ontem o documentário sobre o Rei D. João II.

    Posso dizer que gostei dos dois documentários embora tivesse gostado mais do documentário de ontem pois o comentador, o Dr. Paulo Portas, foi mais incisivo e convincente, (nada que não me espante pela sua experiente carreira jornalística) e por ter tocado em detalhes minuciosos, do meu agrado.
    A par do documentário de Álvaro Cunhal, este foi para mim o melhor documentário que já vi desta série.

    Por outro lado, o documentário do Infante D. Henrique foi no seu geral bom mas demasiado corriqueiro para o meu gosto.
    De longe, este foi o mais fraquinho pois apenas destacou as principais fontes históricas e não se perdeu em grandes detalhes.
    No entanto, um documentário muito interactivo e que recomendo aos pais a mostrarem às suas crianças (para as motivar para a prática de desportos náuticos).

  4. Depois dos heróis terem conquistado grandes feitos vêm os poetas narrar as epopeias

    ” As armas e os barões assinalados
    Que da Ocidental praia Lusitana,
    Por mares nunca dantes navegados
    Passaram ainda além da Taprobana,
    Em perigos e guerras esforçados
    Mais do que prometia a força humana
    E entre gente remota edificaram
    Novo Reino, que tanto sublimaram;

    E também as memórias gloriosas
    Daqueles Reis que foram dilatando
    A Fé, o Império, e as terras viciosas
    De África e de Ásia andaram devastando,
    E aqueles que por obras valerosas
    Se vão da lei da Morte libertando
    Cantando espalharei por toda a parte
    Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
    — Luís de Camões,
    Os Lusíadas (1572)
    Canto I, 1–2

    Camões teve o azar de perder um olho na batalha de Alcacer Quibir mas a sorte de ter estado ausente de Portugal a quando da instauração da inquisição.
    Se ele estivesse em Portugal nesse tempo, quase de certeza que ninguém o iria deixar escrever e publicar esta tão valerosa obra.

    Quanto ao comentador, sóbrio e lúcido no que disse. Não tem a capacidade de persuasão de uma Odete Santos ou um Paulo Portas mas ao contrário destes, o professor Helder Macedo não é político.

  5. Embora não tenha postado a minha opinião sobre os candidatos Afonso Henriques, Marquês de Pombal e Vasco da Gama, isto não significa que não tenha visto os outros documentários.

    Espero vir a postar aqui no meu estaminé mais posts sobre a nossa história.

    PS: And the winner is Salazar.
    Nada que não me tenha surpreendido!

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