Quem foi Eugénio dos Santos?


Se Marquês de Pombal foi o idealizador uma Lisboa Moderna, Eugénio dos Santos foi apenas o arquitecto da reconstrução da cidade de Lisboa.

Após ter consultado algumas referências na internet, não consegui deixar de passar esta em branco

“Eugénio dos Santos e Carvalho nasceu em Aljubarrota em 1711 e foi o autor do projecto de reconstrução da Baixa Pombalina após o terramoto de 1755.

Figura de grande relevo da arquitectura mundial é sem dúvida a personagem mais ilustre nascida na região Alcobacense.”

Para quem estiver interessado em ler mais que estes 2 parágrafos, pode consultar o site da Câmara Municipal de Alcobaça:
http://www.cm-alcobaca.pt/index.php?ID=1726

É por estas e outras razões que eu tenho orgulho em dizer que sou do Município de Alcobaça. Desculpem o meu ego inchado mas fiquei entusiasmado para a escrita e para a pesquisa após o documentário sobre o Marquês de Pombal (Grandes Portugueses)!

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Eugénio dos Santos. Arquitecto da Reconstrução de Lisboa

Dr. Luís Rosa
(Escritor)

Eugénio dos Santos e Carvalho nasceu em Aljubarrota em 1711 e foi o autor do projecto de reconstrução da Baixa Pombalina após o terramoto de 1755.

Figura de grande relevo da arquitectura mundial é sem dúvida a personagem mais ilustre nascida na região Alcobacense.

A sua origem ainda pode verificar-se na Rua Direita de Aljubarrota, na casa chamada Casa dos Carvalhos, que ostenta sob as características janelas aventaladas, na ombreira de uma das portas, a data de 1778.
Sua mãe era natural de Aljubarrota e seu pai oriundo da região de Cantanhede. O pai era “mestre do risco”, o que na linguagem da altura corresponde a projectista e mestre de obras.

Formado na “Aula de Fortificação” onde foi admitido em 1735, trabalhou desde 1736 nas fortificações do Alentejo, sendo responsável em Estremoz pelas obras do Paiol de Santa Bárbara e pelas que foram feitas no Paço e Armazéns. Foi mais tarde responsável pelas fortificações da Marinha e colaborou na construção do Hospital das Caldas da Rainha, dirigidas por Manuel da Maia.

A partir de 1750 foi inspector das obras da Corte, arquitecto das obras dos paços da Ribeira e dos outros paços reais e arquitecto do Senado de Lisboa.

Era capitão de engenheiros com carta de arquitecto quando em 1 de Novembro de 1755 aconteceu o terramoto, seguido de maremoto e terrível incêndio, que destruiu grande parte da cidade de Lisboa.
Eugénio dos Santos tendo então cerca de quarenta anos era capitão de Engenheiros e arquitecto principal do Senado da Câmara de Lisboa, colabora com Manuel da Maia no levantamento dos estragos do terramoto e na elaboração das providências a tomar.

Manuel da Maia era o arquitecto mor do Reino, Marechal de Engenheiros e tinha na altura cerca de 80 anos, para além de grande influência junto do Rei D. José I, de quem fora professor na Aula de Fortificações.
Entre os dois arquitectos, Eugénio dos Santos e Manuel da Maia, apesar da diferença de idades e de patentes militares estabelece-se uma estreita afinidade de colaboração e ideias que irá perdurar por suas vidas e se reflectirá em toda a obra de reconstrução de Lisboa.

Sobre a reconstrução, após o terramoto, três grandes ideias se posicionam. A primeira é deixar que cada um reconstrua os edifícios de sua propriedade de acordo com o emaranhado sinuoso e caótico da geografia citadina de antes do terramoto.

A segunda é construir uma cidade nova para os lados da Ajuda. É esta a ideia cara ao veterano Manuel da Maia.

A terceira consiste em arrasar a zona atingida pelo sismo e reconstruir segundo um novo projecto e um novo plano. É esta a ideia defendida por Eugénio dos Santos e será aquela que vingará e estará na origem do desenho da Baixa.

O marquês de Pombal encomendou a várias equipas de arquitectos que elaborassem projectos para a reconstrução da cidade. Foram apresentados seis grandes projectos. Eugénio dos Santos assinou dois dos projectos: o projecto número 3 em colaboração com Carlos Andreas; e o projecto número 5 de sua única autoria e que viria a ser o projecto escolhido e o que deu origem à Baixa, tal como a conhecemos.

O projecto de Eugénio dos Santos desenvolvia-se segundo uma lógica harmoniosa e racional própria do Século das Luzes.

Tudo se planeava em traçados regulares que definiam quarteirões. Estabelecia-se uma ligação directa entre as duas praças, o Rossio e a outra, aberta para o rio, onde fora o Terreiro da Paço e que agora viria a chamar-se Praça do Comércio.

O Rossio perdia a sua amplidão e ficava reduzido a metade da área do Terreiro do Paço. Uma rua ampla ligava por oeste as duas praças. Uma segunda rua, paralela à primeira, começava no meio do Terreiro do Paço e delimitava a nascente o Rossio. Um arco esboçado conferia grandeza a esta rua do lado do rio. Uma terceira rua tinha início no Terreiro do Paço e acabava a leste do Rossio, numa área que pertencia ao Hospital de Todos os Santos. Estas três ruas seriam as ruas nobres da Baixa.

Lisboa era reinventada. Preservavam-se as duas principais praças tradicionais, com um novo desenho regular. Uma malha de ruas e quarteirões, em quadrícula, funcionalmente hierarquizados, era criada para ligar e articular estes dois espaços.

A nova praça do Terreiro do Paço adquiria um carácter monumental, aberta para o mundo, e mantendo o seu diálogo com o rio.

A planta do arquitecto Eugénio dos Santos foi a escolhida. Daí decorreu o seu traçado dos alçados, o tipo de fachadas, os corta fogos, a introdução dos colectores de esgotos e sobretudo a chamada “técnica da gaiola” processo de construção que pretendia resistir a futuros sismos, factos todos que constituíam uma revolução na arquitectura e na concepção do urbanismo.

Na sequência da aprovação do seu projecto de reconstrução da Baixa, Eugénio dos Santos ficou a dirigir a Casa do Risco, de seu nome completo Casa do Risco das Obras Públicas, organismo que dirigiu e superintendeu na reconstrução e coordenava o trabalho de todos os técnicos e arquitectos empenhados neste grande projecto.

Eugénio dos Santos dirigiu a Casa do Risco até à a sua morte.

Foi responsável pelo traçado dos edifícios de todas as ruas a reconstruir, particularmente pela Praça do Comércio, o mais grandioso monumento civil de Lisboa.

Fez o traçado do novo edifício do Senado, actual Câmara Municipal de Lisboa, só mais tarde edificado (1770-1774) com risco definitivo de Reinaldo dos Santos.

Do mesmo modo fez o plano dos novos edifícios da Alfândega, do Arsenal, da Fábrica do Tabaco e da Ribeira das Naus.

Fez o projecto da estátua de D. José, na Praça do Comércio, mantendo-se a ideia geral e o pedestal, quando mais tarde Machado de Castro elaborou as esculturas. (1770-1775)
É admirável como apesar das condições técnicas e teóricas da altura foi encontrada uma eficácia espantosa nos modos de construir e de fazer arquitectura fazendo a cidade.

Também no Porto, Eugénio dos Santos foi autor do projecto de construção do Palácio da Relação, o maior monumento civil da cidade, mais tarde celebrizado pela prisão de Camilo Castelo Branco e José do Telhado e ultimamente inteiramente restaurado. O facto de ser o arquitecto o responsável pelo projecto assume tanto mais relevo quanto o norte do País era então dominado por arquitectos Italianos com a Torre dos Clérigos mesmo ali ao pé, de autoria de Nicolau Nasoni.

Cirilo Volkmar Machado ao referir-se a Eugénio dos Santos na sua “Colecção de Memórias” diz: «Pode Portugal orgulhar-se, e com sério e indiscutível fundamento, de ter tido entre os seus filhos um dos mais geniais arquitectos, que deveria ser de há muito conhecido não só em Portugal mas em todo o Mundo, como um dos mais gloriosos nomes da nossa Pátria».

Notáveis são os trabalhos de Pardal Monteiro que considera Eugénio dos Santos precursor do urbanismo e da arquitectura moderna. «É tão impressionante o valor deste arquitecto que, sem exemplos em que se baseasse, tudo soube criar para realizar a obra gigantesca da reconstrução da cidade».

Outros documentos a ele se referem «como um homem de conhecida probidade e instrução».
O rei nomeou-o Cavaleiro da Ordem de Cristo. Pelo processo de nomeação chegamos à sua ascendência, que entronca no célebre D. Gil de Carvalho, Mestre da Ordem de Santiago, que comandou a cavalaria na Batalha do Salado.

O ilustre alcobacense-aljubarrotense, nascido na freguesia de Nª Srª dos Prazeres em Maio de 1711, faleceu em Lisboa, na Rua da Rosa das Partilhas, em 5 de Agosto de 1760.

Foi casado com D. Francisca da Costa Negreiros, da influente família de arquitectos da corte.

Teve um filho e duas filhas. O filho, José Manuel de Carvalho e Negreiros, foi arquitecto e Tenente Coronel do Corpo de Engenheiros. Teve carta de Brasão de armas em 1784. Deixou várias obras impressas e manuscritos e colaborou na construção de V. R. de Stº António.

Uma das filhas, D. Teresa Eugénia de Carvalho, nascida em 1759, teve por padrinho de baptismo o Marquês de Pombal.

Foi este o homem, o arquitecto Eugénio dos Santos, que Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal, escolheu para projectar a reconstrução de Lisboa.

Alcobaça, ao criar um prémio de arquitectura, vem dar relevo justo ao mérito de uma das grandes figuras da arquitectura e da cultura nacional e mundial.

A sua obra, o Terreiro do Paço e a Baixa, permanecem como testemunho de uma época e constitui “Uma das obras maiores da cultura nacional” no dizer do historiador José Augusto França. E já tarda o dia em que sejam considerados património mundial.

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