Todo o Português nasceu numa manjedoura coberta de palhas

Esta célebre frase de Miguel Torga deu o mote a que reflectisse sobre uma situação que me aconteceu nestas férias quando fui abordado por uma senhora minha conhecida a pedir um parecer sobre o futuro do curso de Psicologia.

Tenho de confessar que me sinto lisonjeado por me virem pedir conselhos para este tipo de assuntos, embora tenha de admitir que me sinto cada vez mais incomodado com este tipo de perguntas, especialmente com a impetolência com que é feita.

Pessoalmente, penso que este é do tipo de perguntas que não tem resposta. No entanto para perguntas como estas costumo responder subtilmente com frases feitas do tipo

“Sim é, desde que gostamos daquilo que fazemos.”

Melhor, o que queria realmente dizer é

“Porque não mudarmos de assunto?”

Acabei de me lembrar que já fui inúmeras vezes rotulado por pessoa anormal por e simplesmente por ser um mísero licenciado em Matemática e por ter ido por mérito próprio (ou não) para Doutoramento.

Estereótipos como gajos malucos que não fazem mais nada das suas vidas além disso são utilizados para caracterizar muitos dos anónimos que se encontram na minha situação.

Façamos um pequeno exercício: E se juntarmos o facto de estes gajos não terem ainda namorada? (Que é o meu caso.)

Temos de humildemente admitir que o pensamento popular é abundantemente saloio e acima de tudo, que todos nós já o fomos um dia.

O facto de sermos saloios é algo que está impregnado na nossa cultura, o qual defendo que seja preservado por uma questão cultural, isto é, preservar para mais tarde recordar.

No entanto existe outro tipo de hábitos que devem ser adquiridos. Quantos de vós já se sentiram inibidos de andarem de livro debaixo do ombro ou mesmo de o lerem em locais públicos? Provavelmente muitos de vós já foram inferiorizados por acreditar em determinado tipo de causas.
Penso que todos nós já nos sentimos assim, muitas vezes por culpa de incutirem desde o berço que ter status passa por enveredarmos por profissões liberais tais como médicos, engenheiros, arquitectos e todos os que saem fora desta esfera de profissões são pessoas inferiores e sem qualquer futuro (isto, o que a sabedoria saloia nos incute).
Questiono-me pois se tudo isto se deve à falta de informação ou a uma renúncia a esta.

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